Isaías 6.1-8
O Ano Novo marca um novo
tempo, uma mudança na ordem cronológica. Essa mudança é acompanhada de muitas
expectativas e sonhos. Deus também age na esfera cronológica (no Kronos) e é
nesse espectro que Ele estabelece o seu tempo (o Kairós). O Ano da morte do rei
Uzias marcou o ministério profético de Isaías. Foi nesse tempo kronos que Deus
estabeleceu o seu Kairós na vida de Isaías. Nesse tempo seu ministério passou
por uma mudança profunda, um reinicio impactante. Reinício porque Isaías vivia
num ambiente profético. Sua esposa é chamada de “a profetisa” e o nome de seu
filho será de significados proféticos (cf. Is 8.1-4). O seu reinicio foi
marcado pela sua visão: “Eu vi o Senhor...” Quem quer viver coisas novas
precisa mudar a sua visão, principalmente a sua visão em relação a Deus. Antes
a referência era quem estava no trono terreno, agora a referência é quem está
assentado no trono dos céus. Foi revelado a Isaías que existe um trono colocado
no mais alto lugar do que todos os reis que ele conheceu! Mas porque nesse ano?
Uzias foi um dos reis que marcou a sua geração. Ele começou a reinar com
dezesseis anos e reinou cinquenta e dois anos. O mais importante: ele fez o que
era reto perante o Senhor (cf. 2 Cr 26.1-5). Ele se interessou em buscar ao
Senhor nos tempos de Zacarias e nesse tempo de busca o Senhor o fez prosperar.
Ele fez grandes obras e conquistou muitas cidades. O exército que ele montou
era algo extraordinário. Bom líder, bom motivador, guerreiro e buscava a Deus.
Mas em sua história vai aparecer um “mas”. No versículo 16 de capítulo 26 de 2
Crônicas a caminhada de Uzias começa a mudar. “Exaltou-se o seu coração para a
sua própria ruína...” (v.16). Uzias fez muitas coisas boas, buscou a Deus, mas
existiam coisas que não eram da sua alçada. Ele queria fazer a função de
sacerdote, queria queimar incenso no altar. Começamos a cair quando queremos
ser o que Deus não nos chamou para ser. Um parênteses: Infelizmente hoje, para
muitas pessoas, a caminhada cristã se tornou plano de carreira onde se começa
como “obreiro” pensando em chegar no último estágio: pastor(a). Esse pensamento
não tem base bíblica. Os diáconos sempre foram diáconos, os presbíteros sempre
foram presbíteros, os pastores sempre foram pastores. Foram chamados conforme o
dom e não por méritos. Uzias começou a se achar merecedor para exercer tal
função. Ele foi resistido por oitenta sacerdotes junto com Azarias. Uzias ficou
leproso diante do altar. Uzias morreu leproso, provavelmente sozinho e isolado
como era a cultura da época em relação aos leprosos (cf. 2 Cr 26.19-23). É
depois desses acontecimentos que vem a visão do chamado de Isaías. O profeta
viu tudo o que aconteceu com o rei Uzias e Deus mostra que o governo de Israel
estava em suas mãos. O governo vinha do templo, do santuário. O rei não estava
no palácio, mas no templo! Deus mostra a Isaías que o governo começa a partir
dele e não a partir de alguém. A percepção de Isaías precisava ser mudada. Quem
domina no Kairós é o Senhor! O ponto de partida da nossa história em 2021
precisa começar no altar!
1 – Os céus estão em movimento (v. 1-3)
O que Isaías vê dentro do
templo, onde as orlas das vestes do Senhor enchiam, era o movimento do céu
dentro desse ambiente. O mesmo lugar que foi marcado pela ruína de Uzias é o
mesmo lugar que foi marcado pelo início de um ministério que resistiu aos
tempos e influenciou gerações. O mesmo lugar da ruína para alguns é o lugar de
recomeços para outros. A decisão de como será é nossa! Depende do quanto
dispostos nós estamos. Os céus estão se movendo, há um movimento no mundo
espiritual nessa casa! O ano está se findando, mas a sala do trono continua
trabalhando. Há um mover diante do trono! Deus mostra tudo isso a Isaías
esperando uma posição de sua parte. Os céus estão se movendo, os seres
celestiais continuam dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos;
toda a terra está cheia da sua glória”. Isso nos indica que Ele continua sendo
santo, o exército é dele, a capacitação do seu exército é Ele que dá e não há
lugar onde a sua glória não possa alcançar! Os seres descritos como serafins
que tinham seis asas onde duas cobria o rosto, pois temiam olhar para a face de
Deus. Com outras duas cobriam os pés cobrindo tudo que estava acima. A
santidade gerava reverência dos serafins. Santidade que aumenta o meu temor
diante da face de Deus e que me faz ser puro no meu andar e nos meus
relacionamentos. A santidade de Deus se tornou o tema principal da pregação de
Isaías. A santidade de Deus nos convida a sermos santos. Nos convida a sermos
separados do que é profano. Deus mostra a Isaías que não adiantava somente
buscar a sua presença, mas também precisamos vigiar nossas atitudes, pois o
orgulho e a altivez são atitudes que profanam o altar de Deus. Não se engane!
Há um mover no âmbito espiritual que nos cerca essa noite! O Pai trabalha até
agora (cf. Jo 5.17).
2 – Há uma resposta a vista dos que clamam (v. 4)
Os clamores dos serafins
faziam com que as bases da porta do templo se movessem, oscilassem, como se as
portas abrissem e fechassem e o interior do templo se encheu de fumaça. Isso é
o sinal da presença de Deus, assim como no Sinai (cf. Ex 19.16). O Rei está na casa indicando que a promessa
que Ele fez a Salomão estava de pé (cf. 2 Cr 7.16). A cada clamor dos seus
santos ao mundo espiritual é sacudido, o ambiente espiritual se enche de fumaça
que são recolhidas em taças de ouros diante de Deus (cf. Ap 5.7-8). A cada clamor
as bases das “portas” desse mundo se movimentam. Quando proclamamos a santidade
de Deus “portas” de abalam. Aquelas que deveriam estar fechadas não aguentam,
cedem e fecham. Aquelas que deveriam estar abertas também cedem e abrem. Há uma
resposta para o nosso clamor! No meio do clamor as bases estremecem e a casa se
enche de fumaça, que é o sinal da presença poderosa de Deus. O que parece é que
Deus permitiu a Isaías vê duas coisas: O que estava acontecendo no sobrenatural
e o que estava acontecendo no natural. A cada ação sobrenatural havia uma
reação no natural! A cada ação sobrenatural direcionada a santidade de Deus que
tivermos nessa noite (a cada clamor, a cada oração, a cada adoração), haverá
uma reação no natural de 2021!
3 – A purificação que vem do altar nos capacita (v. 5-7)
Isaías se vê numa
situação incomum. Ele se vê num ambiente santo e chega a uma conclusão: “Ai de
mim! Estou perdido!”. Sem querer ser pretencioso, entendo esse trecho de duas
formas: 1 – Ele exclama sobre a situação de forma geral como toda a humanidade
que está marcada pelo pecado de Adão. Ele reconhece a sua situação como a
decadência do ser humano. 2 – Ele fala da sua situação particular. Ele estava
perdido, sem direção. Ele aponta para o seu pecado, que o deixa perdido: os
seus lábios. Estamos falando de um profeta, de um homem que o ambiente de sua
casa era profético, mas o que Deus o tinha dado para a sua obra se transformou
em instrumento de impureza. Isaías precisava voltar a essência, precisava
reencontrar a santidade do seu ministério, do seu chamado. Muitos dos nossos
problemas têm início nas palavras que liberamos. Somos pecadores de muitas
outras maneiras, mas particularmente por nossos lábios. Antes da Coronavírus a
humanidade já estava contaminada com aquilo que estava no seu coração. Jesus
disse que o que contamina de verdade não é o que entra, mas o que sai pelos
lábios (cf. Mt 15.10;17-20). Isaías conhecia esse princípio e sabia que precisa
ver tocado para mudar a sua realidade. Os seus olhos tinham visto Rei, o Senhor
dos exércitos e todos que veem o Rei não saem da mesma maneira. A visão do
Senhor nos dá motivos para temer que Ele venha com juízo sobre nós. Então uma
brasa foi tirada o altar do sacrifício por um dos serafins. O altar do sacrifício
ficava acesso o tempo todo, não podia ficar apagado para mostrar que as
misericórdias do Senhor não se esfriavam. O perdão estava sempre disponível. É
a brasa desse altar, onde a chama não se apaga, que vem a purificação. Alguma
“brasa” precisa nos tocar nessa noite! Brasas para purificar o nosso linguajar
para 2021! Brasas que limpam toda murmuração, toda palavra de desgraça e toda
maledicência!
4 – Enviados para fortalecer
Depois de tocado Isaías
escuta a voz do Senhor perguntando quem iria enviar para anunciar suas
palavras. Isaías, encorajado, se dispõe! Como o poder do perdão nos encoraja a
viver situações que nunca vivemos com Deus. Quando somos tocados com o que vem
do altar somos encorajados a sair de um relacionamento raso com Deus e a
mergulhar na profundidade do seu amor. Somo encorajados a sermos representantes
de Deus, acolhemos o chamado profético sem resistência. Não foi Deus que o
escolheu, mas ele se dispôs! Sua tarefa não seria fácil. Nesse momento ele iria
profetizar a ruína de Israel, mas no versículo 13 na parte b, Deus revela que
Israel ficaria como todo de terebinto e de carvalho. Você pode se perguntar: por
que o carvalho, se ele não dá fruto comestível?. Por causa das características
do próprio carvalho. Se você chegar em um bosque com muitas árvores e nele
houver um carvalho, não há como não o notar. Ele provavelmente será a árvore
mais velha e mais alta do bosque. O
carvalho tem uma vida média entre 500 a 1000 anos e alcança entre 30 a 40
metros de altura. Ou seja, vida longa. Isso lhe proporciona uma característica
sofrida, caule enrugado e raízes profundas, mas não pela sua idade. Assim, como
quem vive muito, passa por muita coisa, o carvalho tem uma característica muito
interessante: quando ele passa por uma tempestade e recebe fortes pancadas de
vento e chuva, seu tronco, que é uma das madeiras mais resistentes do mundo,
não se quebra, mas se contorce, enverga e se molda ao vento. O carvalho tem forte resistência às
situações da vida. “Por incrível que pareça, quanto mais ele se sujeita às
intempéries, mais fortalecido ele sai delas, pois suas raízes se arraigam ao
solo a cada tempestade, seu tronco se revigora, e a possibilidade dele ser
extraído do solo pelos temporais diminui drasticamente, até se tornar nula. É o
tipo de árvore que quanto mais forte o vento ou a tempestade, mais forte ele
fica, seu tronco se firma e ele não se quebra. Suas raízes não são profundas
por causa dos longos anos de vida, mas sim porque quando a tempestade passa,
ele procura aprofundar mais ainda suas raízes, seu objetivo é permanecer em pé,
sem quebrar, firme e forte. Ao contrário de outras árvores o carvalho não perde
suas folhas no inverno. Ele continua frondoso, cheio de vida mesmo no período
mais difícil do ano. Ao que parece, Deus criou o carvalho para resistir. Quando
Deus compara os Seus a um carvalho Ele sugere que é assim que as coisas
deveriam ser para nós. Mesmo quando atacado por qualquer situação, seja ela
natural como uma tempestade, fortes ventos, queimadas, ou seja, ela o machado
de um lenhador, o carvalho se determina a não sair de sua posição e mesmo que
seja derrubado, por causa de suas raízes profundas é muito difícil arrancar o
“toco” que fica. E isso leva o carvalho a brotar e começar a crescer novamente.
O terebinto é da mesma família do
carvalho, mas possui alguns pontos diferentes. Assim como o carvalho, o
terebinto é muito resistente ao inverno. Suas folhas não caem com o frio e só
na primavera é que ele muda a folhagem. Porém, um terebinto não cresce tanto
quanto o carvalho. Seu tamanho médio é de 10 metros aproximadamente. O terebinto possui duas características
que o carvalho não tem. O perfume do terebinto pode ser sentido a mais de um
quilômetro de distância, porém, para que isso aconteça ele deve perder parte da
sua casca. Quanto maior e mais profunda sua ferida, maior será o perfume
exalado pelo terebinto. Ao perder sua casca ele libera uma seiva que também é
medicinal. Serve como anticéptico anti-inflamatório. É interessante que quanto
mais o terebinto é ferido, mais ele exala perfume e ajuda a curar. E Nós?
Muitos de nós, hoje, deveriam aprender com o carvalho e o terebinto. Porém, o
que mais se encontra são pessoas com raízes superficiais, sem resistência às
situações da vida em que quanto mais dificuldades, mais causam mal aos outros.
Alguns podem dizer que os problemas da vida ou as provações são como castigos.
Claro que essas coisas nos aproximam da Divindade e deve ser assim mesmo. As
coisas ruins que nos acontecem servem para nos moldar, ajustar e nos incentivar
a sermos diferentes, com atitudes que seguem na contra mão da sociedade.
Algumas tempestades duram anos. Porém, o desejo de Deus é sermos assim, como o
carvalho, com raízes profundas e resistência. E como o terebinto, que quanto
mais sofre, mais perfuma e cura.
Concluindo
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