terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

TEMPO DE MUDANÇAS PROFUNDAS


Isaías 6.1-8

O Ano Novo marca um novo tempo, uma mudança na ordem cronológica. Essa mudança é acompanhada de muitas expectativas e sonhos. Deus também age na esfera cronológica (no Kronos) e é nesse espectro que Ele estabelece o seu tempo (o Kairós). O Ano da morte do rei Uzias marcou o ministério profético de Isaías. Foi nesse tempo kronos que Deus estabeleceu o seu Kairós na vida de Isaías. Nesse tempo seu ministério passou por uma mudança profunda, um reinicio impactante. Reinício porque Isaías vivia num ambiente profético. Sua esposa é chamada de “a profetisa” e o nome de seu filho será de significados proféticos (cf. Is 8.1-4). O seu reinicio foi marcado pela sua visão: “Eu vi o Senhor...” Quem quer viver coisas novas precisa mudar a sua visão, principalmente a sua visão em relação a Deus. Antes a referência era quem estava no trono terreno, agora a referência é quem está assentado no trono dos céus. Foi revelado a Isaías que existe um trono colocado no mais alto lugar do que todos os reis que ele conheceu! Mas porque nesse ano? Uzias foi um dos reis que marcou a sua geração. Ele começou a reinar com dezesseis anos e reinou cinquenta e dois anos. O mais importante: ele fez o que era reto perante o Senhor (cf. 2 Cr 26.1-5). Ele se interessou em buscar ao Senhor nos tempos de Zacarias e nesse tempo de busca o Senhor o fez prosperar. Ele fez grandes obras e conquistou muitas cidades. O exército que ele montou era algo extraordinário. Bom líder, bom motivador, guerreiro e buscava a Deus. Mas em sua história vai aparecer um “mas”. No versículo 16 de capítulo 26 de 2 Crônicas a caminhada de Uzias começa a mudar. “Exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína...” (v.16). Uzias fez muitas coisas boas, buscou a Deus, mas existiam coisas que não eram da sua alçada. Ele queria fazer a função de sacerdote, queria queimar incenso no altar. Começamos a cair quando queremos ser o que Deus não nos chamou para ser. Um parênteses: Infelizmente hoje, para muitas pessoas, a caminhada cristã se tornou plano de carreira onde se começa como “obreiro” pensando em chegar no último estágio: pastor(a). Esse pensamento não tem base bíblica. Os diáconos sempre foram diáconos, os presbíteros sempre foram presbíteros, os pastores sempre foram pastores. Foram chamados conforme o dom e não por méritos. Uzias começou a se achar merecedor para exercer tal função. Ele foi resistido por oitenta sacerdotes junto com Azarias. Uzias ficou leproso diante do altar. Uzias morreu leproso, provavelmente sozinho e isolado como era a cultura da época em relação aos leprosos (cf. 2 Cr 26.19-23). É depois desses acontecimentos que vem a visão do chamado de Isaías. O profeta viu tudo o que aconteceu com o rei Uzias e Deus mostra que o governo de Israel estava em suas mãos. O governo vinha do templo, do santuário. O rei não estava no palácio, mas no templo! Deus mostra a Isaías que o governo começa a partir dele e não a partir de alguém. A percepção de Isaías precisava ser mudada. Quem domina no Kairós é o Senhor! O ponto de partida da nossa história em 2021 precisa começar no altar!

1 – Os céus estão em movimento (v. 1-3)

O que Isaías vê dentro do templo, onde as orlas das vestes do Senhor enchiam, era o movimento do céu dentro desse ambiente. O mesmo lugar que foi marcado pela ruína de Uzias é o mesmo lugar que foi marcado pelo início de um ministério que resistiu aos tempos e influenciou gerações. O mesmo lugar da ruína para alguns é o lugar de recomeços para outros. A decisão de como será é nossa! Depende do quanto dispostos nós estamos. Os céus estão se movendo, há um movimento no mundo espiritual nessa casa! O ano está se findando, mas a sala do trono continua trabalhando. Há um mover diante do trono! Deus mostra tudo isso a Isaías esperando uma posição de sua parte. Os céus estão se movendo, os seres celestiais continuam dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. Isso nos indica que Ele continua sendo santo, o exército é dele, a capacitação do seu exército é Ele que dá e não há lugar onde a sua glória não possa alcançar! Os seres descritos como serafins que tinham seis asas onde duas cobria o rosto, pois temiam olhar para a face de Deus. Com outras duas cobriam os pés cobrindo tudo que estava acima. A santidade gerava reverência dos serafins. Santidade que aumenta o meu temor diante da face de Deus e que me faz ser puro no meu andar e nos meus relacionamentos. A santidade de Deus se tornou o tema principal da pregação de Isaías. A santidade de Deus nos convida a sermos santos. Nos convida a sermos separados do que é profano. Deus mostra a Isaías que não adiantava somente buscar a sua presença, mas também precisamos vigiar nossas atitudes, pois o orgulho e a altivez são atitudes que profanam o altar de Deus. Não se engane! Há um mover no âmbito espiritual que nos cerca essa noite! O Pai trabalha até agora (cf. Jo 5.17).

 

2 – Há uma resposta a vista dos que clamam (v. 4)

Os clamores dos serafins faziam com que as bases da porta do templo se movessem, oscilassem, como se as portas abrissem e fechassem e o interior do templo se encheu de fumaça. Isso é o sinal da presença de Deus, assim como no Sinai (cf. Ex 19.16).  O Rei está na casa indicando que a promessa que Ele fez a Salomão estava de pé (cf. 2 Cr 7.16). A cada clamor dos seus santos ao mundo espiritual é sacudido, o ambiente espiritual se enche de fumaça que são recolhidas em taças de ouros diante de Deus (cf. Ap 5.7-8). A cada clamor as bases das “portas” desse mundo se movimentam. Quando proclamamos a santidade de Deus “portas” de abalam. Aquelas que deveriam estar fechadas não aguentam, cedem e fecham. Aquelas que deveriam estar abertas também cedem e abrem. Há uma resposta para o nosso clamor! No meio do clamor as bases estremecem e a casa se enche de fumaça, que é o sinal da presença poderosa de Deus. O que parece é que Deus permitiu a Isaías vê duas coisas: O que estava acontecendo no sobrenatural e o que estava acontecendo no natural. A cada ação sobrenatural havia uma reação no natural! A cada ação sobrenatural direcionada a santidade de Deus que tivermos nessa noite (a cada clamor, a cada oração, a cada adoração), haverá uma reação no natural de 2021!

3 – A purificação que vem do altar nos capacita (v. 5-7)

Isaías se vê numa situação incomum. Ele se vê num ambiente santo e chega a uma conclusão: “Ai de mim! Estou perdido!”. Sem querer ser pretencioso, entendo esse trecho de duas formas: 1 – Ele exclama sobre a situação de forma geral como toda a humanidade que está marcada pelo pecado de Adão. Ele reconhece a sua situação como a decadência do ser humano. 2 – Ele fala da sua situação particular. Ele estava perdido, sem direção. Ele aponta para o seu pecado, que o deixa perdido: os seus lábios. Estamos falando de um profeta, de um homem que o ambiente de sua casa era profético, mas o que Deus o tinha dado para a sua obra se transformou em instrumento de impureza. Isaías precisava voltar a essência, precisava reencontrar a santidade do seu ministério, do seu chamado. Muitos dos nossos problemas têm início nas palavras que liberamos. Somos pecadores de muitas outras maneiras, mas particularmente por nossos lábios. Antes da Coronavírus a humanidade já estava contaminada com aquilo que estava no seu coração. Jesus disse que o que contamina de verdade não é o que entra, mas o que sai pelos lábios (cf. Mt 15.10;17-20). Isaías conhecia esse princípio e sabia que precisa ver tocado para mudar a sua realidade. Os seus olhos tinham visto Rei, o Senhor dos exércitos e todos que veem o Rei não saem da mesma maneira. A visão do Senhor nos dá motivos para temer que Ele venha com juízo sobre nós. Então uma brasa foi tirada o altar do sacrifício por um dos serafins. O altar do sacrifício ficava acesso o tempo todo, não podia ficar apagado para mostrar que as misericórdias do Senhor não se esfriavam. O perdão estava sempre disponível. É a brasa desse altar, onde a chama não se apaga, que vem a purificação. Alguma “brasa” precisa nos tocar nessa noite! Brasas para purificar o nosso linguajar para 2021! Brasas que limpam toda murmuração, toda palavra de desgraça e toda maledicência!

4 – Enviados para fortalecer

Depois de tocado Isaías escuta a voz do Senhor perguntando quem iria enviar para anunciar suas palavras. Isaías, encorajado, se dispõe! Como o poder do perdão nos encoraja a viver situações que nunca vivemos com Deus. Quando somos tocados com o que vem do altar somos encorajados a sair de um relacionamento raso com Deus e a mergulhar na profundidade do seu amor. Somo encorajados a sermos representantes de Deus, acolhemos o chamado profético sem resistência. Não foi Deus que o escolheu, mas ele se dispôs! Sua tarefa não seria fácil. Nesse momento ele iria profetizar a ruína de Israel, mas no versículo 13 na parte b, Deus revela que Israel ficaria como todo de terebinto e de carvalho. Você pode se perguntar: por que o carvalho, se ele não dá fruto comestível?. Por causa das características do próprio carvalho. Se você chegar em um bosque com muitas árvores e nele houver um carvalho, não há como não o notar. Ele provavelmente será a árvore mais velha e mais alta do bosque. O carvalho tem uma vida média entre 500 a 1000 anos e alcança entre 30 a 40 metros de altura. Ou seja, vida longa. Isso lhe proporciona uma característica sofrida, caule enrugado e raízes profundas, mas não pela sua idade. Assim, como quem vive muito, passa por muita coisa, o carvalho tem uma característica muito interessante: quando ele passa por uma tempestade e recebe fortes pancadas de vento e chuva, seu tronco, que é uma das madeiras mais resistentes do mundo, não se quebra, mas se contorce, enverga e se molda ao vento. O carvalho tem forte resistência às situações da vida. “Por incrível que pareça, quanto mais ele se sujeita às intempéries, mais fortalecido ele sai delas, pois suas raízes se arraigam ao solo a cada tempestade, seu tronco se revigora, e a possibilidade dele ser extraído do solo pelos temporais diminui drasticamente, até se tornar nula. É o tipo de árvore que quanto mais forte o vento ou a tempestade, mais forte ele fica, seu tronco se firma e ele não se quebra. Suas raízes não são profundas por causa dos longos anos de vida, mas sim porque quando a tempestade passa, ele procura aprofundar mais ainda suas raízes, seu objetivo é permanecer em pé, sem quebrar, firme e forte. Ao contrário de outras árvores o carvalho não perde suas folhas no inverno. Ele continua frondoso, cheio de vida mesmo no período mais difícil do ano. Ao que parece, Deus criou o carvalho para resistir. Quando Deus compara os Seus a um carvalho Ele sugere que é assim que as coisas deveriam ser para nós. Mesmo quando atacado por qualquer situação, seja ela natural como uma tempestade, fortes ventos, queimadas, ou seja, ela o machado de um lenhador, o carvalho se determina a não sair de sua posição e mesmo que seja derrubado, por causa de suas raízes profundas é muito difícil arrancar o “toco” que fica. E isso leva o carvalho a brotar e começar a crescer novamente. O terebinto é da mesma família do carvalho, mas possui alguns pontos diferentes. Assim como o carvalho, o terebinto é muito resistente ao inverno. Suas folhas não caem com o frio e só na primavera é que ele muda a folhagem. Porém, um terebinto não cresce tanto quanto o carvalho. Seu tamanho médio é de 10 metros aproximadamente. O terebinto possui duas características que o carvalho não tem. O perfume do terebinto pode ser sentido a mais de um quilômetro de distância, porém, para que isso aconteça ele deve perder parte da sua casca. Quanto maior e mais profunda sua ferida, maior será o perfume exalado pelo terebinto. Ao perder sua casca ele libera uma seiva que também é medicinal. Serve como anticéptico anti-inflamatório. É interessante que quanto mais o terebinto é ferido, mais ele exala perfume e ajuda a curar. E Nós? Muitos de nós, hoje, deveriam aprender com o carvalho e o terebinto. Porém, o que mais se encontra são pessoas com raízes superficiais, sem resistência às situações da vida em que quanto mais dificuldades, mais causam mal aos outros. Alguns podem dizer que os problemas da vida ou as provações são como castigos. Claro que essas coisas nos aproximam da Divindade e deve ser assim mesmo. As coisas ruins que nos acontecem servem para nos moldar, ajustar e nos incentivar a sermos diferentes, com atitudes que seguem na contra mão da sociedade. Algumas tempestades duram anos. Porém, o desejo de Deus é sermos assim, como o carvalho, com raízes profundas e resistência. E como o terebinto, que quanto mais sofre, mais perfuma e cura.

Concluindo

PORTANTO: PREPARE-SE! - Mesmo que você esteja, passou ou certamente haverá de passar por tempestades, aproveite-as para enraizar sua estrutura, preferencialmente, antes da tempestade. Preste atenção às feridas dos outros. É uma forma sábia de aprender com erros dos outros e, não desista: SEMPRE HAVERÁ UM NOVA CHANCE PARA AQUELES QUE ACREDITAM... E FAZEM!

A IGREJA ESTÁ VICIADA (Um olhar crítico) - contribuição Pr Clóvis Batista

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A Igreja está viciada a programações e eventos que satisfazem o seu público e não o que o transforma. A Igreja está viciada a campanhas e lembrancinhas. A Igreja está viciada em mensagens que inflamam o ego. Muitas vezes a mensagem não é para transformar, mas para atrair para o próximo culto. A Igreja está viciada em frases de efeito. A Igreja está viciada em poder humano, esquecendo que o seu poder não é dela, mas do Espírito. A Igreja está viciada com a sua auto-imagem, a sua propaganda. Muito marketing para mostrar qual é a melhor, qual tem mais ou menas coisas! A Igreja está viciada em espetáculos. Muitas luzes e fundos pretos. Nos preocupamos com o supérfulo e esquecemos do essencial. Paredes estão sendo substituídas por vidas. Nos preocupamos com o monumento e esquecemos do movimento. O culto a Deus já não é mais suficiente para a Igreja. Se a Igreja tivesse somente os cultos semanais, de domingos, Escola Dominical e evangelismo caracteriza-se que a Igreja está parada. Nos acostumamos a um estilo de Igreja que precisa mostrar performance, que dê resultados, onde o que aparenta é o que importa. Damos pouca importância para o tratar do "crente do dia-a-dia", do crente que precisa testemunhar o amor de Cristo no seu cotidiano onde quer que esteja. A Igreja está viciada no bem-estar. Não temos mais alegria no sofrimento por e pela causa de Cristo. Nos encantamos com a "grama da Igreja do vizinho" quando tem algo diferente, mas esquecemos de fazer a diferença nesse mundo. Muitos congressos e métodos que "dão certo" e esquecemos do que "é certo". Esquecemos que os ministérios da Igreja são para edificar e não para nos satisfazer. Apesar desse vício creio que a Igreja ainda é o melhor lugar onde podemos estar. A Igreja não é apenas um espaço, mas ela é onde os filhos e filhas de Deus estão. E como saímos desse vício? Precisamos de coragem e ousadia para voltarmos a essência e simplicidade do evangelho de Cristo, de irmos contra a maré dos modismos e dependermos tão somente da ação do Espírito Santo. Isso sem termos a preocupação em agradar a "estes" ou "àqueles", mas em agradarmos Aquele que nos comicionou para a Sua Obra!

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